17 de abril de 2008

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer


SERVIÇO SOCIAL OCUPA REITORIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Quero parabenizar as alunas e alunos do curso de Serviço Social da UFAM pela atitude ousada adotada na tarde de ontem, 16/04/08, ao ocupar pacificamente a Reitoria. A decisão foi tomada após meses de tentativas frustradas de negociação com o Departamento de Serviço Social e a administração central da Universidade.

Mesmo com a presença da Polícia Federal os alunos não se intimidaram e passaram a noite acampados no centro administrativo da Universidade Federal. Aqui há que se fazer um destaque: consta que as negociações no gabinete do Reitor foram mediadas simplesmente por um agente da Polícia Federal que, a todo tempo, tentou intimidar os representantes dos alunos.

Esta prática, se confirmada, deve ser duramente repudiada. Nem mesmo nos tempos de chumbo os militares estiveram oficialmente mediando as negociações entre trabalhadores em greve e seus patrões. Claro que sempre estiveram presente, disfarçados, infiltrados nas assembléias e mesmo em diretorias de entidades de classe. Há cenas históricas de assembléias de metalúrgicos no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campos (SP) cercadas por tropas das polícias militar e do exército e sobrevoadas por helicópteros militares... mas não se tem notícias de uma coisa como esta relatada por alunos da Ufam, onde um agente da PF teria assumido o papel de "negociador" do diabo, já que teria atuado como um agente de repressão.

Agora, cá pra nós, que reitoria é esta que se permitiu tal papelão? Não posso deixar de expressão aqui minha insatisfação e vergonha, sobretudo por ter como um dos representantes naquela reunião nada menos do que o nosso Diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras - ICHL. Em outros tempos o ocupante deste cargo estaria ao lado dos alunos ou, no mínimo, teria se recusado a estar em uma mesa de negociações com um "milíco". Que papelão meu senhor diretor.

Alguns poucos professores visitaram os alunos em sinal de solidariedade e apoio às suas reivindicações.

As principais reclamações dos alunos são:

  • Qualidade do ensino, com a presença dos professores pós-graduados em sala de aula
  • Super lotação das salas de aula
  • Biblioteca desorganizada e defasada em seu acervo
  • Laboratórios de informática defasados, com poucos computadores e sempre fechados
  • Falta de climatização adequada das salas de aula
  • Banheiros sujos, sem água e impróprios ao uso
  • Constantes interrupções das aulas por falta de energia elétrica



Nota: Foto do acervo do Jornal A Crítica (publicada em 17/04/08)

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