28 de abril de 2008

Lugar de militar é na caserna ou cumprindo missão constitucional

O Gen. Heleno pode ser tudo, menos ingênuo. Pelo raciocínio formulado por ele como os explicar aquelas cercas e muros em "áreas militares" ? Oras, se somos todos brasileiros qual a razão de não se poder entrar numa vila militar em que moram os privilegiados das forças armadas? Por que há TERRITÓRIOS MILITARES ONDE OS BRASILEIROS NÃO PODEM ENTRAR? Claro que há uma serie de razões plausíveis para aquelas áreas de acesso restrito, assim como deve ser as terras indígenas e Unidades de Conservação. Assim como é, também, NO CASO das PROPRIEDADES PRIVADAS que são guardadas por cercas elétricas, cães e guardas armados legalmente sob a chancela do Estado.

A rigor, penso que estamos perdendo tempo dando "voz" à um militar, cuja função constitucional o proíbe de se meter neste tipo de assunto, sobretudo ao afirmar que deve obediência ao Brasil e não ao Presidente da República. Trata-se de um irresponsável golpista. Por muito menos este comandante já deverei ter sido destituído.

Quanto a questão ao tamanho das terras indígenas e UCs e sua relação com o desenvolvimento local é uma grande balela. Basta olhar para os estados do Mato Grosso e Rondônia, onde a falta de demarcação de TI e Ucs, nos anos 70 e 80, facilitaram a penetração do capital naquela área, provocando desmatamento, violência contra os trabalhadores do campo e indígenas sem, contudo garantir qualquer expressão de desenvolvimento. Nem mesmo crescimento econômico.

As poucas manchas verdes ainda existentes naqueles estados são exatamente terras demarcadas.

Há ainda uma outra coisa: ao se falar de milhares de hectares de terras demarcadas (TI ou Ucs) não se pode perder de vista que na maioria dos casos estas terras estão invadidas e/ou ocupadas há décadas por grileiros, latifundiários, posseiros... de modo que, de fato, as terras não estão sob o domínio de quem as deteriam de direito. Segundo, Mesmo que não invadidas, estas terras (também na sua quase totalidade) não se efetivaram de fato, se enquadrando naquilo que tem sido denominado "parques (TI) de papel", ou seja, só existem no papel, nos mapas.

Por fim, quando foi que um generalzinho de plantão saiu por ai denunciando os milhares de hectares de terras públicas e/ou devolutas que foram griladas e hoje estão em poder do agronegocio, de pecuaristas ou empresas de capital nacional ou estrangeira. Neste momento há pelo menos cinco trabalhadores rurais sendo ameaçados de morte no sul do Amazonas (outros já foram assassinados) por causa da expansão do agronegócio àquela região e não me parece que isto seja um problema que desperte indignação na caserna.

Que generais preocupados com a questão agrária voltem às casernas, de onde nunca deveriam ter saído.

PT TOMOU UMA DECISAO

PT TOMOU DECISÃO HISTÓRICA NESTE ÚLTIMO DOMINGO (27/04/08)
Partido dos Trabalhadores de Manaus disputará eleiçoes municipais de 2008 com candidatura própria

O Partido dos Trabalhadores acaba de tomar uma decisão duplamente histórica. Depois de vinte anos sem lançar candidatura própria à eleição para prefeito de Manaus (8º. PIB brasileiro) 295 delegados partidários aprovaram ontem, 27 de abril, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, resolução que sacramenta a tese “candidatura própria”, ou seja, o parido deverá apresentar à população de Manaus um candidato à prefeito da cidades, nas eleições de outubro próximo.
Se esta decisão já é histórica, já que a ultima eleição disputada pelo PT de Manaus, com candidatura própria, ocorreu em 1988 (há exatos 20 anos!) há ainda um outro e importante aspecto: a decisão foi unânime. Todos os delegados presentes aprovaram a decisão em festa, com cantos e palavras de ordem, como nos velhos tempos.
Claro que nem tudo são flores. Muita água haverá de rolar até que um nome seja apontado pelas prévias. Ao menos dois nomes foram citados ao longo do Encontro Municipal, o do Deputado estadual Sinésio Campos e o Deputado Federal Francisco Praciano. A propósito, Praciano é o único, até agora, que já confirmou sua intenção de disputar as eleições municipais.
Agora, o que acabou chamando a atenção de muitos delegados foi a presença tímida e silenciosa de Marcos Barros, quadro histórico e atual Secretário de Governo do prefeito Serafim Correia (PSB). Ao final do Encontro Marcos Barros era um dos poucos presentes que não expressava alegria com a decisão tomada.

17 de abril de 2008

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer


SERVIÇO SOCIAL OCUPA REITORIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Quero parabenizar as alunas e alunos do curso de Serviço Social da UFAM pela atitude ousada adotada na tarde de ontem, 16/04/08, ao ocupar pacificamente a Reitoria. A decisão foi tomada após meses de tentativas frustradas de negociação com o Departamento de Serviço Social e a administração central da Universidade.

Mesmo com a presença da Polícia Federal os alunos não se intimidaram e passaram a noite acampados no centro administrativo da Universidade Federal. Aqui há que se fazer um destaque: consta que as negociações no gabinete do Reitor foram mediadas simplesmente por um agente da Polícia Federal que, a todo tempo, tentou intimidar os representantes dos alunos.

Esta prática, se confirmada, deve ser duramente repudiada. Nem mesmo nos tempos de chumbo os militares estiveram oficialmente mediando as negociações entre trabalhadores em greve e seus patrões. Claro que sempre estiveram presente, disfarçados, infiltrados nas assembléias e mesmo em diretorias de entidades de classe. Há cenas históricas de assembléias de metalúrgicos no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campos (SP) cercadas por tropas das polícias militar e do exército e sobrevoadas por helicópteros militares... mas não se tem notícias de uma coisa como esta relatada por alunos da Ufam, onde um agente da PF teria assumido o papel de "negociador" do diabo, já que teria atuado como um agente de repressão.

Agora, cá pra nós, que reitoria é esta que se permitiu tal papelão? Não posso deixar de expressão aqui minha insatisfação e vergonha, sobretudo por ter como um dos representantes naquela reunião nada menos do que o nosso Diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras - ICHL. Em outros tempos o ocupante deste cargo estaria ao lado dos alunos ou, no mínimo, teria se recusado a estar em uma mesa de negociações com um "milíco". Que papelão meu senhor diretor.

Alguns poucos professores visitaram os alunos em sinal de solidariedade e apoio às suas reivindicações.

As principais reclamações dos alunos são:

  • Qualidade do ensino, com a presença dos professores pós-graduados em sala de aula
  • Super lotação das salas de aula
  • Biblioteca desorganizada e defasada em seu acervo
  • Laboratórios de informática defasados, com poucos computadores e sempre fechados
  • Falta de climatização adequada das salas de aula
  • Banheiros sujos, sem água e impróprios ao uso
  • Constantes interrupções das aulas por falta de energia elétrica



Nota: Foto do acervo do Jornal A Crítica (publicada em 17/04/08)

11 de abril de 2008

Violência e assassinato no sul do Amazonas

Amazonas é um dos únicos estados da federação onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST não se encontra organizado. Este fato acaba por produzir a falsa sensação de que no estado não haveria conflitos agrário. O que não corresponde à realidade. Temos no estado uma infinidade de casos de conflitos agrários, onde se destacam aqueles envolvendo comunidades ribeirinhas e/ou indígenas, latifundiários, grileiros, políticos conservadores e empresários do setor pesqueiro, madeireiros, empresas de mineração etc.

Estes conflitos possuem uma espécie de “invisibilidade” na medida em que não são pautados pela grande mídia. No entanto eles existem e, pior, estão se agravando vertiginosamente nos últimos anos em decorrência da expansão do pólo sojeiro e agropecuário sobre área ao sul do estado. Este processo de expansão, apoiado política e financeiramente pelos governos estaduais e federal, via de regra está assentado em um modelo já clássico de ocupação do solo rural brasileiro: grilagem + violência + assassinatos + concentração fundiária + pauperização + impunidade + grilagem.

Hoje já se contabilizam varias mortes de lideranças de trabalhadores rurais do sul do estado que foram brutal e covardemente assassinadas por lutarem por terra. O agricultor Gedeão da Silva, morto em 2006, era uma das centenas de trabalhadores rurais que estão sendo vítimas deste processo de ocupação irracional e delinqüente da Amazônia, onde a monocultura e a pecuária extensiva têm promovido a expulsão de comunidades rurais formadas por posseiros, assim como o desmatamentos, assoreamento e poluição de rios, contaminação e compactação do solo e outros tipos de degradação ambiental. Gedeão Silva, dirigente do Sindicato de Trabalhadores Rurais do Sul de Lábrea, foi emboscado e assassinado no dia 26 de fevereiro de 2006.

As autoridades ligadas à questão agrária (INCRA, ITEAM, SDS, MDA) e segurança pública (Secretaria de Segurança Publica do Amazonas, Policia Federal, Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Direitos Humanos) já sabiam há muito tempo que a tensão social no sul do Amazonas, em decorrência de conflitos agrários, alcançara níveis explosivos.Na verdade, a morte do agricultor Gedeão da Silva é mais uma das dezenas de mortes anunciadas anualmente em decorrência da violência rural. Gedeão da Silva era uma das nove pessoas incluídas na lista dos marcados para morrer em Lábrea. Depois de Gedeão outros já foram mortos e nada, absolutamente nada foi feito.

O Começo

Bem, aqui estou iniciando minha jornada como blogueiro. Com o tempo saberemos se vinguei ou naufraguei na primeira arrebentação.

A idéia é publicar meus textos, inéditos ou já publicados em outras mídias, assim como outros textos e informações que, de algum modo, julgue pertinente. Tenho ainda a ousada pretensão de criar, aqui, um espaço onde possamos realizar um bom debate.

Quanto aos temas, vamos deixar rolar e, aos poucos, saberemos quais vingarão.
Sejam todos bem vindos!

Luiz Antonio